terça-feira, 7 de junho de 2011

Relato de um professor da rede estadual

Professor: sinônimo de sofredor

A Avaliação de desempenho práticada pelo atual governo é uma afronta a dignidade do professor.
Hoje, 29/05/2011, me sentir numa maratona correndo para responder 29 questões de matemática, 14 questões pedagógicas, todas com textos, e fazer duas dissertações e para finalizar, marcar todas as questões no gabarito sem errar, em apenas 4h. Como a maioria dos colegas, não consegui concluir a prova, perdi o meu domingo e voltei para casa com uma tremenda dor de cabeça e a sensação de carregando água num cesto. Tudo isto para disputar com quase dois mil colegas uma vaga para ter aumento de salário.

 
Pois é, no atual governo para o professor do estado agora é assim: quer aumento de salário? Tem que fazer prova e só com uma caneta (tomaram tudo, desde a borracha e o lápis, ao celular e as chaves de casa; por pouco não tiraram minha cueca). Se for ao banheiro, tinha que passar pelo dector de metais, sem o direito de questionar nada.
 
Por falar em questionar, o porcesso avaliativo não tem lisura, já que o professor não direito de levar o caderno de prova e não pode anotar as suas respostas, ficando sem poder saber quais questões acertou ou errou. Impedindo, assim, o professor do direito de entrar com qualquer tipo de recurso. Cadê a APLB? Onde estar o senhor Rui Oliveira? Cadê a transparência do governo?

Pelo menos aprendi um novo método de avaliar o indivíduo e acho que farei o mesmo com os meus alunos: darei o máximo de questões para eles responderem num tempo mínimo, assim como o governo atual vem fazendo conosco e, quem sabe assim, o Brasil passe a figurar entre os países de educação excelente.

 
É agindo desta forma que o governo atual fará a valorização de professores? A categoria de professores é uma uma categoria em extinção, basta verificar quantos alunos do ensino médio estão interessados em fazer licenciatura. As universidades estão fechando os curso por falta de candidatos e as que ainda não fecharam sobram vagas. Há no país uma carência de mais de 250 mil professores, em todas as áreas. Milhares de professores estão atuando fora de sua área de formação e outros milhares estão fazendo nova graduação para mudar de área. Basta que cada colega veja na sua própria escola quantos estão buscando novas oportunidades de trabalho fora da educação.

Em tempo: O pior da humilhação estava por vir: alunos que vão para escola armados de faca e revólver e quse sempre para usar contra o professor, não passam por detector de metais para não causar danos na formação do caráter (este já chega deformado à escola). No entanto, os professores, cuja a única arma é o livro, usado para tornar o homem livre, são constrangidos dentro da própria escola. Durante a avaliação, ao precisar ir ao banheiro, antes tinha que passar por detector de metais. Só faltou a câmara de raio-x.
Esta é a forma de valorizar o professor que o atual governo da Bahia encontrou: humilhá-los.

Só agora percebo que sinto saudades do passado.

Enéas Estrêla
Salvador-Bahia

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